Blog de crítica e opiniões sobre as políticas que afetam negativamente a humanidade. O Homem na atualidade necessita urgentemente de arrepiar caminho, em busca de um novo Mundo!

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Os traficantes têm os perfis das vítimas traçados, os países de origem identificados e um modus operandi em constante mutação. Na maioria as vítimas são jovens que são alertados pelos pais para desconfiar de desconhecidos, pelos professores para a marcação de encontros, pela polícia para anúncios de emprego irrecusáveis.

A rede de angariação é composta por tios, namorados, maridos, vizinhos e amigos de família que conhecem as vítimas durante anos, ou seja, pessoas de confiança. Quando estes angariadores lhes prometem uma vida melhor noutro país, com bons empregos, e com um elevado nível salarial, as vítimas não hesitam. Laços de confiança que são forjados ao longo de muito tempo.

Um terço das vítimas são menores quando são traficadas, com idades compreendidas entre os doze e os dezassete anos. Para estes os períodos de exploração são mais longos. A resistência do seu jovem corpo assim o permite.

As vítimas vivem sob a ilusão e a indiferença. Homens, mulheres e crianças caem nestas redes. Agências legalmente criadas, que assinam contratos, que encobrem esquemas de tráfico e engano e que, ao primeiro sinal de denúncia, desaparecem tão depressa quanto foram criadas.

Portugal e os portugueses não escapam a esta realidade. Portuguesas forçadas a prostituir-se em casas de alterne e bordeis. Portugueses e portuguesas forçadas a trabalhar dezasseis horas por dia em muitos países da europa. Mas também traficantes portugueses que forçam as nigerianas de catorze anos a prostituírem-se ou os búlgaros de trinta a trabalhar, por quase nada, nas quintas do Douro e Alentejo.

As histórias de vida das vítimas são difíceis de ouvir, complexas e tão repletas de violência que por vezes parecem irreais. Na nossa sociedade este problema passa ao lado, existe uma indiferença, e muitas das vítimas são banidas da sociedade e nunca recuperam. Nunca voltam a ser as pessoas que eram antes. Anos depois das mazelas do corpo terem desaparecido, as da mente retorcem-se diariamente à procura duma explicação. Têm dificuldade em voltar a confiar e a serem reintegradas plenamente na sociedade.

publicado por franciscofonseca às 17:52

comentário:
Já ouvi estes relatos, nas ruas, durante o voluntariado nos Médicos do Mundo. É cortante e principalmente porque nós, como entidades de voluntariado de prestação de saúde, não devemos intervir, caso contrario, deixam de confiar em nós, ou na pior das hipóteses podemos por-lhes a vida em risco. Ajuda-mo-las a fazer denuncia, caso elas queiram, o que raramente acontece. Habituam-se a este cenário e sentem-se na obrigação de fazer parte dele. Não alimentamos ilusões, tratamos-lhe da alma e da saúde o quanto podemos... Mas fica aquela impotência permanente, até que as deixamos de ver, sem saber qual o rumo das suas vidas.
Rosa Fonseca a 28 de Outubro de 2012 às 18:51

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