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Angola muito rica, angolanos muito pobres

por franciscofonseca, em 05.03.11

Angola, após 9 anos de ter terminado a guerra civil, tornou-se num dos países mais ricos da África subsaariana. Produz 1,9 milhões de barris de petróleo por dia, é o quinto maior produtor de diamantes do mundo e o seu potencial de desenvolvimento agrícola é enormíssimo.

Mas, a realidade é que Angola é um país com um dos maiores níveis de desigualdade do mundo. A maior parte da riqueza gerada vai para os bolsos de uma elite que, vive em condomínios privados situados em enclaves bem murados. Os novos arranha-céus de Luanda que, ladeiam um porto recheado de lustrosos barcos de recreio, onde podemos facilmente encontrar um iate Ferreti, no valor de 5,5 milhões de dólares.

Os bairros pobres “musseques” estão a ser deslocados para áreas periféricas da capital, sem que seja atribuída qualquer compensação aos seus habitantes, apenas umas chapas de latão para que possam construir outra barraca noutro local. As elites apoderam-se desses locais perto das praias de areia branca. Só 9% dos cinco milhões que vivem em Luanda tem água potável, apenas metade da população tem virtualmente acesso a cuidados de saúde e Angola tem as taxas mais altas de mortalidade infantil do mundo.

A dotação orçamental do governo roda os 40 mil milhões de dólares, um valor superior ao de muitos países europeus. O problema é que não existem funcionários especializados, sendo o governo constituído, em grande parte por antigos guerrilheiros que gastam elevadíssimas somas em clubes nocturnos, apenas por que isso parece bem.

Os angolanos sabem que o património do Estado tem sido delapidado por altos dignitários da nação. Praticamente em qualquer esquina, há alguém com ligações ao aparelho do Estado que, se tenta apropriar do seu quinhão. José Eduardo dos Santos, presidente há 31 anos, parece ter ficado satisfeito apenas com o facto de estes lhe terem assegurado a sua lealdade. A sua própria família tem interesses em várias empresas. Os mais pobres que, constituem a maioria poucos benefícios retirarão da riqueza gerada no seu país. E não constitui surpresa o surgimento de focos de revolta.

No entanto, na minha opinião, para que a mudança ocorra verdadeiramente, o país vai ter de esperar pela emergência de uma nova geração de líderes, livre de medos antigos e preparada para desafiar o poder instalado.

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publicado às 15:12


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