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Vivemos tempos em que o grau de credibilidade e confiança nos governos, políticos e instituições democráticas caiu consideravelmente, de forma generalizada, principalmente face à sua inabilidade de gerir eficientemente a crise política e financeira, não só em Portugal, mas em todo o continente europeu. A degradação da democracia e das instituições é uma realidade muito preocupante e que requer profundas alterações.

A confiança é uma construção individual, organizacional e cultural, que se constitui na base do capital social de uma nação, diretamente relacionada com a excelência e mensuração de resultados, por parte dos cidadãos.

O sistema democrático vigente tem sido trucidado pelos abusos de poder, pelas agendas escondidas, pelos interesses próprios e dos grupos de pressão, pelo favorecimento ilícito, pelo afastamento dos políticos dos cidadãos e principalmente pela subordinação do poder político ao poder económico. Muito brevemente os políticos deixarão de ter representatividade por conseguinte legitimidade, serão eleitos por minorias, que deixarão cair o poder nas mãos do povo. No dia em que são comemorados os 25 anos da morte de Zeca Afonso, se ele voltasse apenas perguntaria: - Como é possível ainda estar tudo na mesma?

Este sistema democrático tem forçosamente de passar por uma regeneração, assim como todos os seus atores, partidos, políticos, instituições e cidadãos. O esforço passar por uma cultura de fidedignidade, de meritocracia, repartição equitativa de sacrifícios, prestação de contas e transparência, que conduza a resultados de elevada performance, quer em termos organizacionais, quer em termos setoriais e por um compromisso com a melhoria contínua, para que as pessoas acreditem no que veem, ouçam e experienciem no dia-a-dia.

Esta crise económica e social agravada deverá servir para arquitetar um novo modelo colaborativo de compromisso e de confiança entre governantes, decisores políticos, instituições e cidadãos, por forma a capitalizar as oportunidades que esta conjuntura global coloca a Portugal. A regeneração do nosso sistema democrático é inevitável, assim como a refundação dos valores identitários da nossa sociedade.

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publicado às 19:37


3 comentários

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De Sofista a 25.02.2012 às 00:45

Parabéns pela análise!
Há uma nítida necessidade de regeneração não só da classe politica, como de todo o sistema e não refiro meramente á questão orgânica; ou temos coragem de procurar outras vias, debatermos outras soluções, questionando os nossos dirigentes, denunciando-os como parte do problema e não parte da solução ou passaremos do mal para o invivável! Há urgência! No meu blog também venho denunciando estas questões, acrescentando o meu modesto grãozinho de areia à praia dos indignados.
cordialmente
Sofista
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De franciscofonseca a 25.02.2012 às 11:47

Obrigado pelo comentário. Temos de fazer a nossa parte. Parabéns pelo seu blog.
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De Anizio Nunes a 25.02.2012 às 21:10

Caro comentarista. Me parece, daqui e aqui no Brasil, que a inércia da população diante dos desmandos e da corrupção generalizada é um processo gestado há cinco ou seis décadas, mormente após o final da II Guerra, com a aplicação maciça das técnicas de propaganda de massa, e uma necessidade da sociedade americana de purgar seus fantasmas depois de terem arrasado o mundo. Especialistas em Psicologia, desde aquela época vem tentando alterar o modo de ver o mundo para justificar sua barbárie, e criaram assim um Imperialismo das Idéias.
1- No campo político.
No período da Guerra Fria, o embate entre duas correntes econômicas(capitalismoXcomunismo e/ou Socialismo), criou o ambiente propício para as guerras menores, Coréia, VietNam,Afeganistão, entre outras, só aumentou a força impositiva dessas idéias. A necessidade de domínio territorial entre os dois principais elementos (EUAXURSS) criou ainda um campo fértil para as ditaduras, principalmente na América Central e do Sul, na África, no Oriente Médio, alienando as populações do direito de exercer o poder chamado democrático.
2- No campo Social
O fato de se sentirem donos do mundo levou a mesma sociedade americana a afrouxar os mecanismos de contrôle sobre a juventude, fazendo-nos crer que a liberdade individual pode e deve sobrepujar o coletivo. A contracultura vigente no período Paz e Amor dos anos 60, só conseguiram desagregar os laços familiares de afetividade e respeito. A criminalização e a falta de contrôle sobre as drogas, só vieram a propiciar o aumento no consumo e a expansão do tráfico, esta última atividade que sobretudo vive da corrupção dos encarregados de impedí-la, aliem da falta de orientação adequada da infância e juventudes aliciadas pela criminalidade.
3 - Na mídia
O avanço das tecnologias da informação transformou todos os meios de comunicação, especialmente a televisão, essa Medusa, cujo olho brilhante é capaz de transformar os cérebros em pedra, ,produzindo zumbís que só sabem repetir mecanicamente as informações recebidas, sem capacidade de análise e/ou contestação, já que são educados para serem analfabetos funcionais
4 - Na Justiça
A interpretação das leis, estas mesmas mal formuladas, de acôrdo com o momento em que é feita, e ao sabor dos poderes econômicos das partes envolvidas, procura antes, não resolver o problema legal mas, banalizar tôda e qualquer infração, desde a uma pichação de paredes até um assassinato, através de subterfúgios legais criados para aproveitar as brechas da lei.
Isto pôsto, fica o cidadão comum, mediano, refém de informações capengas, mal feitas e mal intencionadas; fica ainda iludido pelos seus representantes que estamos num paraíso, diferente de outros povos que vivem em conflito.
E, aqui, dizemos que Deus é brasileiro, enquanto somos narcotizados pelo pão e circo do Carnaval, dos benefícios dados pelo Poder aos necessitados, e continuaremos a receber os demagogos de plantão, de braços abertos, como se fossem os salvadores da Pátria, que graças à Impunidade Parlamentar, continuas varrendo para baixo do tapete da Democracia, seus roubos e falcatruas até que a lei prescreva seus desmandos.

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