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A classe média a caminho da extinção em Portugal

por franciscofonseca, em 01.06.12

Hoje ouvi alguns iluminados economistas, próximos do governo, defenderem a redução dos salários em Portugal. Gente incompetente, com responsabilidades diretas na situação atual, que deveriam ser responsabilizados civil e criminalmente, por todas as atrocidades cometidas, mas que ainda se acham no direito de dar contributos ainda mais ruinosos. Os trabalhadores portugueses ganham 12€ por hora de trabalho, os espanhóis 21€, os franceses 36€, os alemães 30€, os belgas 39€, os gregos 17€, os irlandeses 27€,sendo a média dos 17 países da Zona Euro,  27€. Mas ainda há imbecis que acreditam que baixar salários é uma boa solução para aumentar a competitividade.

O fosso entre ricos e pobres em Portugal está cada vez mais acentuado: 20% da população rica a ganhar seis vezes mais do que os 20% mais pobres. Já para não falar que a classe média portuguesa corre sérios riscos de baixar de categoria, sendo nela também que recai a maior fatura da crise. A erosão da classe média e os efeitos nefastos que este desgaste possui no crescimento é um elemento comum a muitas economias europeias. Esta é a realidade muito perturbadora.

E, caso este declínio continue, os efeitos podem ser os seguintes: estradas e pontes cairão na degradação; as universidades entrarão em guerra para licenciar estudantes e os preparar para o mercado de trabalho; os gastos dos consumidores cairão em flecha; os pequenos negócios irão fechar e serão muito, muito poucos, aqueles que nascerão no seu lugar. Por fim, os milionários serão confrontados com menos clientes e com um número bem menor de potenciais contratados.

Nas duas últimas décadas, a globalização transformou muitos países, em sociedades de consumo exagerado, onde tudo se comprava e, especialmente, com dinheiro emprestado, mas este modelo colapsou com a crise financeira. Só podemos sair desta situação se aumentarmos os anos de escolaridade, a qualidade de educação, a excelência na gestão de recursos humanos, premiar o mérito e implementar uma política rigorosa de responsabilização. A par disso taxar os milionários da mesma forma e sem exceções, para poderem ser aumentados os salários. Estas são as principais medidas para sairmos da crise e não baixar os salários com defendem alguns energúmenos.

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publicado às 21:06


2 comentários

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De Lopes a 03.06.2012 às 12:52

Quando você diz que os portugueses ganham 12 €/hora é incorrecto. O que a comunicação social se refere é o custo de cada trabalhador. Isto é, cada trabalhador custa para o patrão salário+impostos+encargos, isto sim é os 12 €, mas basta fazer a conta para ver que 12€/hora quanto daria de vencimento mensal. Mas o problema não é seu, é da comunicação social que por ignorância traduz mal as noticias ou não as entende. Mas de resto, gostei de ler.
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De franciscofonseca a 03.06.2012 às 15:17

Obrigado pelo comentário. São dados de um relatório publicado pelo Eurostat. A questão relevante é que nos outros países os encargos dos patrões também estão contabilizados no custo da hora de trabalho. A disparidade é aberrante e mesmo assim ainda há quem pense que a solução passa por nos afastarmos mais dos parceiros europeus. Já estamos na beira do abismo, falta só o empurrão.

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