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Europa e euro no charco

por franciscofonseca, em 17.09.11

Os arquitectos do euro tiveram consciência dos riscos da moeda única, pois a solidez impulsionou os esbanjadores. Assim, nasceu o Pacto de Estabilidade e Crescimento de 1997, um método rígido, simplista, mas eficaz. A maior flexibilidade reclamada pelos estados membros tornou o euro muito mais frágil.

Se Portugal ainda tivesse o escudo, jamais nos teriam emprestado os milhões que agora nos sufocam, e já há muito tempo, os desequilíbrios orçamentais teriam sido forçosamente corrigidos. Curioso, a segurança que o euro constitui no meio da crise, foi a mesma segurança, que permitiu aos países cometerem os erros, que agora ameaçam a moeda única.

A história fala por si, qualquer moeda, multi-nacional é condenada a explodir quando há desequilíbrios nas economias de quem a partilha, como é o caso da União Monetária. Assim sendo, o euro não fugirá à regra, pois as diferenças culturais e económicas na Europa são enormes. O desnível das economias da zona euro é gigantesco. A bancarrota da Grécia é apenas o primeiro sintoma, outros se seguirão, como é o caso de Portugal, Irlanda, Itália, Espanha, Bélgica e França. As medidas e os planos de austeridade impostas aos países prevaricadores, apenas adiam o fim anunciado. Não vale apena adiar a agonia.

Parece teoria da conspiração, mas a verdade é que os Estados Unidos arquitetaram o euro, com a cumplicidade da Comunidade Europeia, com intenção de infectar a Europa, com o conceito americano de globalização e de lucro máximo a curtíssimo prazo.

A dívida americana é insondável, eles dissociaram o dólar do padrão do ouro, baixaram o valor do dólar em 98% relativamente à onça do ouro. Os EUA ao imprimirem montanhas de dinheiro, para desvalorizar o dólar, arriscam-se a uma terrível hiperinflação, seguida de uma depressão.

A queda da Europa e do euro ao charco, empurrará o mundo para uma segunda grande depressão, onde a ganância de ganhos financeiros rápidos será exterminada e substituída pela sobrevivência do capital. O dólar moribundo, com o desaparecimento do euro, continuará temporariamente vivo.

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publicado às 18:40

O stress urbano contribui para o colapso da economia

por franciscofonseca, em 06.09.11

No mundo actual, mais de metade da população mundial vive nas cidades. Estas pessoas dispõem de uma vasta oferta cultural, tecnológica e energética. Os ritmos do quotidiano são muito acelerados, devido às exigências profissionais e familiares. Hoje, sabe-se que muitos distúrbios mentais provêm do estilo de vida urbano. Os cidadãos tendem a ter níveis mais elevados de stress, de alterações de humor e de doenças psicóticas e cardiovasculares, comparativamente aos que vivem em zonas rurais.

Os citadinos para além do stress estão mais expostos a sentimentos de ansiedade, de medo, em resultado das ameaças, que advêm da maior incerteza da vida, nas grandes metrópoles. Veja-se o caso norte-americano, onde existem 125 milhões de pessoas, cerca de 45% da população com doenças crónicas depressivas, que consomem 80% dos 1.9 triliões de dólares gastos nos sistemas público e privados de saúde, dos Estados Unidos, que já corresponde a 20% do PIB.

O mito de que quanto maior for a exposição das pessoas ao stress, maior é a adaptabilidade, mais tolerantes e imunes ficam, é completamente erróneo.

Manter o equilíbrio no que respeita ao stress é uma tarefa cada vez mais difícil nos tempos que correm. Os citadinos são hoje confrontados com períodos de trabalho mais alargados, mais intensos e têm mesmo que saber desligar. O que é fácil de dizer, mas nem sempre fácil de fazer.

O resultado desta equação é fácil de obter, na conjuntura actual. Maior incerteza, leva ao aumento do stress, maior stress leva ao aumento das doenças crónicas e da improdutividade, maior improdutividade leva à diminuição da riqueza do país e maior número de doenças crónicas, contribuem para o aumento da despesa do Estado. Senhores governantes, um dos grandes segredos para uma boa governação é não aumentar as incertezas das populações, se possível diminuí-las.

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publicado às 19:05

A London School of Economics (LSE) está a ser abalada por um enorme escândalo, que já deu origem à demissão do seu director, Sir Howard Davies, por ter aceitado dinheiro machado de sangue vindo da Líbia. Mas quase todas as universidades de prestígio recebem financiamentos de fontes duvidosas.

O antigo director da LSE, Anthony Giddens, considerado um dos maiores sociólogos do século XX, esteve envolvido na tese de doutoramento do filho de Khadafi, que foi alvo de suspeitas de plágio, a semelhança do que aconteceu ao ministro de Merkel, que não resistiu à mesma prevaricação.

Isto só veio a lume porque Khadafi continua a resistir e seu filho Saif al-Islams defendeu a sua tese de doutoramento subordinada ao tema “O papel da sociedade civil na democratização das instituições globais da governação: do soft power ao processo da decisão colectiva”, parecia defender uma Líbia como se fosse a Noruega do Norte de África: próspera, igualitária e progressista.

Se o jovem doutorado pela LSE não tivesse aparecido na televisão líbia a jurar lutar pela Líbia até à última bala, e apesar dos alertas para a existência de partes plagiadas na sua teses de doutoramento, o escândalo não teria rebentado, pelo facto de a LSE ter recebido um donativo de 2,4 milhões de dólares, da fundação Khadafi, logo após a conclusão da referida tese, mas as universidades também estão em crise, na boa verdade.

Existem universidades britânicas, Oxford, Cambridge e a UCL, que recebem fundos das realezas sauditas e de outras fontes do golfo. A família de Bin Laden doou somas avultadas, ao longo da década de 90, tanto à universidade de Harvard como à de Tuffs dos EUA. Assim, se mancha um dos pré-requisitos para qualquer processo académico: a transparência.

Os interesses económicos, mais uma vez, corroem um príncipio fundamental, a integridade académica. Penso que com a crise financeira, as instituições baixam a fasquia da ética relativamente aos donativos. Apesar do escândalo estou em querer, que o business as usual se vai manter no mundo universitário.

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publicado às 22:13

Causas reais dos motins em Inglaterra

por franciscofonseca, em 11.08.11

Tenho acompanhado as análises de especialistas, dos mais variados quadrantes, sobre os motins ocorridos em Inglaterra e quer-me parecer, que a visão destes senhores anda completamente destorcida e desfasada a realidade. À primeira vista parece ser uma afirmação forte. Mas, na minha modéstia opinião, as causas não se ficam a dever à austeridade implementada por David Cameron, à actuação das polícias, ao facto das pessoas pertencerem a bairros sociais, ou ainda ao falhanço do multiculturalismo.

A principal causa é educacional. Na Inglaterra, assim como na maioria dos países da Europa deu-se uma degenerescência do sistema educacional, com a adopção do eduquês. Portugal adoptou também esta farsa, está instalada uma cultura de facilitismo, de laxismo, em todo o sistema, seja a que nível for. Esta nova teoria progressista onde os professores passaram a ser tudo, menos professores, onde os valores éticos e a responsabilização deixaram de fazer parte da conduta moral, os indivíduos crescem sem qualquer enquadramento pela sociedade, tendo a sociedade que vergar-se perante as suas vontades.

As teorias mais divulgadas até ao momento são de matriz política, assentam em generalizações, sobre o descontentamento social devido à exploração do indivíduo pela sociedade capitalista, ou apontam o multiculturalismo como principal origem do fenómeno. Estes acontecimentos demonstraram cabalmente a ascensão do multiculturalismo, pois os jovens desordeiros são de origem multi-étnica.

Penso que estas teorias estão desactualizadas, não facilitam a explicação e compreensão deste fenómeno, que irá arrastar-se, seguramente, para outros países, nomeadamente para os Estados Unidos.

Os Estados têm vindo a perder a sua autoridade, em vários sectores da sociedade. Os responsáveis políticos que implementaram o eduquês têm agora uma excelente janela de oportunidade, para fazer a regeneração do sistema educacional, sem relativismo moral, baseado em fortes valores morais e éticos, no respeito pela autoridade, onde os pais sejam os primeiros transmissores dos valores, da vivência em sociedade.

Caso contrário, os índices de violência urbana vão disparar nas grandes cidades, devido a excitação causada pela violência nos jovens, sem âncoras na família, sem valores éticos e morais. Está mais que provado, de que a violência alimenta-se em si mesmo. Considero, que chegou a hora de ser feita uma profunda reformulação e reestruturação do sistema educacional e que a autoridade do Estado nunca poderá ser privatizada.

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publicado às 22:14

Poligamia, casamentos e parcerias

por franciscofonseca, em 01.08.11

Podemos pensar que só os políticos têm dificuldades em manter a monogamia, devido a sua apetência para relacionamentos de poligamia, onde são criadas autênticas teias, onde a promiscuidade é a característica principal. Mas, se nos focalizarmos nas grandes organizações veremos que a realidade não é muito diferente. Normalmente as parcerias são fundadas em promessas de fidelidade e exclusividade, mas em muitas situações transformam-se em fontes de tensões, traições e acabam em divórcio.

Assim, no mundo dos negócios, raramente um parceiro preenche todas as necessidades estratégicas, por isso é melhor aceitar situações de poligamia. Nestes casos é fundamental a gestão dos múltiplos parceiros e evitar os relacionamentos confusos.

Por outro lado, deve-se evitar a promiscuidade. A ligação de forma indiscriminada, a vários parceiros pode ser uma estratégia de risco, devido aos nós que são criados e as ligações emaranhadas.

Nestes relacionamentos as partes deverão deixar algum espaço livre para fazer acordos adicionais, mas sem o custo de perder o compromisso necessário por parte dos parceiros. É importante manter os olhos bem abertos no que respeita à forma como se pode capturar valor dos parceiros, o que é uma tarefa muito complexa. Mas, no final, sejam eles políticos, partidos, dirigentes ou empresas, o desejo de todos é serem o jogador principal, ninguém quer ficar no banco, veremos o que vai acontecer ao Presidente Obama.

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publicado às 18:22

O mundo está efervescente e a sopa global tem todos os ingredientes para poder transbordar. A inflação na China chegou aos 6,4% e o tigre chinês ameaça toda a zona asiática. Este problema vai ser de difícil resolução, devido principalmente ao dinheiro quente que continua a inundar a China, uma vez que os investidores e especuladores podem consegui-lo um valor próximo de 0% nos EUA, 0,5% em Inglaterra e 1,5% na zona euro, contra os 6,5% na China.

Poderemos assistir a uma aterragem forçada e prolongada no tempo, da economia chinesa. Assim, a locomotiva económica do mundo vai abrandar e tal como uma borboleta que bate as asas no Pacífico, pode provocar um tornado do outro lado do mundo, os Estados Unidos podem cair em recessão e o comércio internacional travar fortemente.

O mesmo fenómeno com a inflação está a ocorrer na Índia, a outra grande potência emergente, que está com uma inflação de 9%. Países como a Índia, China e Brasil estão incendiados pelo dinheiro quente, que tecnicamente se chama de capitais voláteis. Se acontecer um agravamento súbito no risco causado pela crise na Europa ou pelas dúvidas nos Estados Unidos, a Ásia vai ficar muito exposta.

A atenção mediática está centrada no trio Grécia, Portugal e Irlanda, já com planos de resgate da troika (UE/FMI/BCE) e com níveis de risco de default elevadíssimos, superiores a 50%, mas os verdadeiros elefantes na loja de porcelanas da zona euro são a Espanha e a Itália.

Nos Estados Unidos há um mal-estar crescente. Há uma retoma que não retoma e a recaída na recessão já poderá ter começado. Para piorar as coisas, os republicanos estão a brincar com o fogo, e os chineses têm a noção clara de que estão amarrados a um acordo de mútuo suicídio, se as coisas derem para o torto.

O grande risco deste Verão é que a convergência destas tendências negativas provoque o aparecimento de algum cisne negro ainda imprevisto. Vamos entrar numa fase, em que limpeza do lixo acumulado nas dívidas soberanas, despoletada pela vaga de crises na zona euro, mas que acabará por tocar os Estados Unidos e o Reino Unido. E quando tocar esses dois santuários, a tempestade perfeita ter-se-á formado, a sopa vai entornar-se e estarão em jogo biliões de euros.

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publicado às 06:19

Obama enxovalha Portugal e Grécia

por franciscofonseca, em 16.07.11

O presidente Obama ao ver o tempo esgotar-se, para evitar que o país entre em incumprimento da dívida deu uma conferência de imprensa, na Casa Branca, onde apelou ao bom senso dos republicanos, para o aumento do tecto máximo de endividamento do país.

No seu discurso procurou desdramatizar a situação, afirmando que o “tempo urge” para aumentar o limite da dívida e fez uma comparação explosiva, ao afirmar que "Não somos a Grécia! Não somos Portugal!", pois os Estados Unidos não vão ser forçados a pedir nenhum empréstimo à EU, nem ao FMI, porque défice está controlado. Mas Obama esqueceu-se da Irlanda que apresenta um risco de incumprimento superior ao português, eu compreendo, isso seria politicamente muito embaraçoso.

O incumprimento seria uma grande humilhação para a maior economia do mundo, a que não se pode sujeitar, pois representaria uma calamidade para os mercados financeiros e para o sistema especulativo, deitando por terra os objectivos e a geoestratégia da administração norte americana, em relação ao euro.

Se o teto de endividamento vier a ser aumentado, será a 40ª vez que acontece desde 1980. A dívida dos Estados Unidos é superior à dívida de todos os países europeus. Cada dólar gasto pelos americanos, 40 cêntimos representam dívida contraída.

Obama sabe que tem de ter dólares para manter as guerras no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, talvez no futuro no Irão e quem sabe até no Paquistão. É destas guerras que é gerado o lucro do sistema capitalista, a acumulação de capital resulta da espoliação de países indefesos, especialmente se tiverem petróleo e minerais valiosos para explorar.

Penso que os Estados Unidos estão no caminho da falência, mas não podem conter a sua agressividade bélica, pois isso aumentaria o risco da sua insolvência.

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publicado às 12:27

Portugal não é um país falhado

por franciscofonseca, em 14.07.11

Aparentemente, Portugal pode ser considerado um país quase falido, mas estamos muito longe de sermos um país falhado. Os resultados do mais recente ranking da Fund for Peace, que é publicado todos os anos pela Foreign Policy, o nosso país melhorou no índice dos Estados falhados, ocupando agora a 163ª posição entre 177 países. Nesta classificação os lugares de topo são ocupados pela Somália, Sudão e o Chade. Estas posições significam que estes países estão distantes da sustentabilidade política, económica e social. Em contraponto, temos a Noruega, Finlândia e Suécia que ocupam os lugares do fundo da tabela.

A situação económica do país é muito grave, estamos fortemente condicionados pelos 78 mil milhões de euros concedidos pela ajuda externa. Mas, somos de entre os países europeus em crise dos mais sólidos, estando apenas atrás da Irlanda, mesmo à frente da Alemanha, em termos de sustentabilidade política, económica e social. Apesar da nossa situação económica ser mais desfavorável, na Alemanha há um desempenho mais negativo, em áreas como o acolhimento e a integração de refugiados, os conflitos inter-raciais e desigualdades no desenvolvimento económico.

Relativamente aos países lusófonos, Timor-Leste ocupa a 18ª posição, Guiné-Bissau está no lugar 22º, Angola está em 59º, Moçambique é o 69º, Cabo
Verde encontra-se em 88º e finalmente o Brasil que ocupa a 119ª posição no ranking.

Podem denominar-se Estados falhados, aqueles cujos respectivos governos não têm controlo sobre a totalidade do território ou não têm o monopólio do uso da força.

Considero arrepiante ver que 81% da população mundial vive na pior metade da tabela, vivendo apenas 1,72% em Estados sustentáveis económica, política e socialmente, como sublinha este relatório.

Os resultados revelados demonstram ainda os graves efeitos da especulação e flutuação dos mercados em todo o mundo, resultantes da crise económica iniciada em 2008 nos Estados Unidos. Esta crise está a assombrar o futuro da civilização, devido principalmente, ao aumento dos preços dos produtos alimentares, ao colapso das transacções comerciais e a estagnação do investimento, a que estamos a assistir.

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publicado às 18:49

A guerra do dólar contra o euro

por franciscofonseca, em 10.07.11

As agências de notação financeira acabam de dizer aos investidores, para não comprarem dívida pública portuguesa, dívida e títulos das grandes empresas, obrigações dos bancos, passando uma mensagem de aumento de risco, relativamente ao incumprimento. Este jogo que está a ser feito pelas agências de rating faz parte, de um plano mais vasto, de política internacional e geoestratégico.

Estas agências estão a fazer o jogo dos investidores, que querem ganhar dinheiro com os seguros das dívidas soberanas dos países. Quanto mais elevado é o risco de incumprimento dos países, mais dinheiro ganham os investidores.

O euro está a subir em relação ao dólar, já a muito tempo a esta parte. Os Estados Unidos da América têm um problema gravíssimo em relação ao dólar, pois foi emitida muita moeda ultimamente sem a economia crescer, pensando que o Mundo continuava a comprar dólares indefinidamente, mas isso não está a acontecer, o Mundo já percebeu que o dólar está doente.

Estas agências servem também os interesses obscuros dos norte-americanos contra o euro, sendo os alvos mais fáceis de momento a Grécia e Portugal, seguindo-se a Irlanda e Espanha.

Enquanto o euro não cair à mão destes senhores, eles não vão descansar e a especulação vai continuar. Primeiro, a solução passa pelo Banco Central Europeu deixar de ter, como principal critério, as classificações das agências de rating norte-americanas, para avaliação das dívidas públicas dos países.

Em segundo, o senhor Durão Barroso, em vez de vir fazer declarações politicamente enfadonhas, deverá rapidamente tocar os sinos a rebate e juntar a baronesa Merkel, o príncipe Sarkozy, e os restantes vassalos, pegar em fundos europeus, ir ao mercado, emitir obrigações em nome da Europa e emprestar esse dinheiro, directamente a Portugal, à Grécia, à Irlanda e a quem necessitar dele, pagando os países apenas uma taxa administrativa, relativa aos custos da emissão desse dinheiro. Se isto não for feito, o euro acabará por cair aos pés daqueles que lideram esta guerra obscura, mas muito determinada e objectiva.

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publicado às 23:28

O recuo da globalização

por franciscofonseca, em 13.06.11

A correlação de forças na economia mundial ficou de pernas para o ar, nos últimos três anos. No início da recessão, em 2008, surgiu o G-20, onde Barak Obama julgou poder partilhar o comando dos assuntos mundiais, com a China num G-2, mas a resposta foi negativa. Assim, a única superpotência, os Estados Unidos não consegue mais impor a sua vontade e nenhuma outra potência tem vontade de partilhar os riscos de uma nova época.

Existe a ideia de vazio geopolítico, que poderá levar o mundo a um G-Zero, onde a volatilidade e os conflitos vão aumentar. Nas últimas cimeiras do G20 apenas foram produzidas frustrações. A China continua a defender que é uma economia em desenvolvimento, com grandes desafios internos e sem vontade para ser vista como superpotência global.

Os EUA permanecem a potência mais forte e assim vão continuar nos tempos mais próximos, mas deixou de ter força suficiente para impor grandes mudanças no mundo.

A crise financeira e a recessão global acentuaram os cuidados com o risco, em todos os países. Desta forma, os governos percebem que a sua sobrevivência depende mais da protecção, dos empregos locais e do crescimento local. Este facto começará a alterar a dinâmica da globalização conforme o Ocidente a concebeu.

Vamos assistir ao proteccionismo comercial, guerras cambiais e diminuição da importância mundial do dólar como divisa internacional. Novas medidas restritivas e de controlo serão colocadas em prática, que levantarão novas barreiras à velocidade de circulação com que as ideias, a informação, as pessoas, os produtos, os serviços e o dinheiro galgaram fronteiras. Estamos em pleno recuo da globalização, na forma como tem sido pilotada pelo Ocidente.

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publicado às 22:00


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