Blog de crítica e opiniões sobre as políticas que afetam negativamente a humanidade. O Homem na atualidade necessita urgentemente de arrepiar caminho, em busca de um novo Mundo!

19
Jun 12

Na Europa a corrupção tende a agravar-se com a crise financeira. Existe uma forte correlação entre este fenómeno e os défices dos países do sul da Europa, que lideram o problema de endividamento e os que menos praticam uma cultura política de transparência.

Na Grécia, Itália, Portugal e Espanha a corrupção consiste com frequência em práticas que resultam da opacidade nas regras entre os grupos de pressão, de tráfico de influência e de relações muito estreitas entre o sector público e o privado. A permeabilidade entre empresas e governos favorece o abuso de poder, o desvio de fundos e a fraude, minando a estabilidade económica.

Nos países que passam por dificuldades financeiras, os abusos e a corrupção não estão controlados. Estes países padecem de uma grave carência de responsabilidade dos poderes públicos e revelam uma ineficácia, negligência e corrupção tão enraizadas que não é possível ignorar a relação entre a corrupção e as crises financeira e orçamental que se vive nestes países. Esta é a realidade nua e crua e que os lobbies sem controlo tudo farão para que assim continue.

Neste momento de grande incerteza a Europa necessita de uma cultura política de transparência para sair da crise económica. Existem demasiados governos que se furtam à sua responsabilidade na gestão das finanças públicas e dos concursos públicos.

Mas quando o problema não é a crise económica mas, pelo contrário, o fenómeno da corrupção prolífera graças à riqueza, ou seja, o modo descarado como as elites políticas e económicas desse país delapidam essa riqueza em prol de benefícios próprios. Falo de Angola, de facto dos países mais corruptos do mundo. Os mais corruptos têm toda a proteção política e jurídica para que não sejam responsabilizados pelos seus atos. É quase impossível uma empresa estrangeira investir hoje em Angola sem que tenha um sócio que seja membro do governo ou que esteja ligado à família presidencial. Há uma associação de tráfico de influências.

Os principais sinais deste fenómeno continuam enraizados na administração pública, onde impera a gorjeta, chamada gasosa, o tráfico de influências, a retórica da falta de verbas como forma de justificar a não concretização de projetos sociais, o nepotismo e os sinais exteriores de riqueza e, ainda, a regra do sócio, apelidada em Angola de cabritismo, e do amigo do partido. O sul da Europa aproxima-se perigosamente deste tipo de corrupção. Espero que este fenómeno seja passageiro, caso contrário será a ruína completa dos povos.

publicado por franciscofonseca às 17:11
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05
Mar 11

Angola, após 9 anos de ter terminado a guerra civil, tornou-se num dos países mais ricos da África subsaariana. Produz 1,9 milhões de barris de petróleo por dia, é o quinto maior produtor de diamantes do mundo e o seu potencial de desenvolvimento agrícola é enormíssimo.

Mas, a realidade é que Angola é um país com um dos maiores níveis de desigualdade do mundo. A maior parte da riqueza gerada vai para os bolsos de uma elite que, vive em condomínios privados situados em enclaves bem murados. Os novos arranha-céus de Luanda que, ladeiam um porto recheado de lustrosos barcos de recreio, onde podemos facilmente encontrar um iate Ferreti, no valor de 5,5 milhões de dólares.

Os bairros pobres “musseques” estão a ser deslocados para áreas periféricas da capital, sem que seja atribuída qualquer compensação aos seus habitantes, apenas umas chapas de latão para que possam construir outra barraca noutro local. As elites apoderam-se desses locais perto das praias de areia branca. Só 9% dos cinco milhões que vivem em Luanda tem água potável, apenas metade da população tem virtualmente acesso a cuidados de saúde e Angola tem as taxas mais altas de mortalidade infantil do mundo.

A dotação orçamental do governo roda os 40 mil milhões de dólares, um valor superior ao de muitos países europeus. O problema é que não existem funcionários especializados, sendo o governo constituído, em grande parte por antigos guerrilheiros que gastam elevadíssimas somas em clubes nocturnos, apenas por que isso parece bem.

Os angolanos sabem que o património do Estado tem sido delapidado por altos dignitários da nação. Praticamente em qualquer esquina, há alguém com ligações ao aparelho do Estado que, se tenta apropriar do seu quinhão. José Eduardo dos Santos, presidente há 31 anos, parece ter ficado satisfeito apenas com o facto de estes lhe terem assegurado a sua lealdade. A sua própria família tem interesses em várias empresas. Os mais pobres que, constituem a maioria poucos benefícios retirarão da riqueza gerada no seu país. E não constitui surpresa o surgimento de focos de revolta.

No entanto, na minha opinião, para que a mudança ocorra verdadeiramente, o país vai ter de esperar pela emergência de uma nova geração de líderes, livre de medos antigos e preparada para desafiar o poder instalado.

publicado por franciscofonseca às 15:12
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