Blog de crítica e opiniões sobre as políticas que afetam negativamente a humanidade. O Homem na atualidade necessita urgentemente de arrepiar caminho, em busca de um novo Mundo!

30
Set 11

Mais uma vindima se realizou com muito esforço e diversão, durante dois dias. A produção de 2011 foi excelente, quer em quantidade, quer em qualidade. Os mostos são graduados e muito encorpados, fazendo prever deliciosos néctares. Deixo algumas fotos para os leitores deste blog.

Aos 87 anos de idade ainda continua a ser o patrão da Quinta. Parabéns.

Aqui o patrão júnior com algumas dificuldades em manobrar a máquina, mas saiu-se bem!

As uvas vão ser processadas. As brancas directamente para as cubas de fermentação e as tintas para o lagar.

 

publicado por franciscofonseca às 19:18
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29
Ago 11

 

O mês de Setembro está a chegar e aproxima-se mais uma época da vindima no Douro e na Quinta da Trigueira. Temos um trabalho árduo pela frente, de colher as uvas e depositá-las no lagar, onde se vai extrair o famoso néctar dos deuses. Este ano perspectiva-se uma boa colheita, quer em quantidade, quer sobretudo em qualidade.

Começam os preparativos para a vindima, varrem-se, esfregam-se, desinfectam-se os lagares; todo o material vinário com o qual as uvas, o mosto e o vinho vão ter contacto, é cuidadosamente inspeccionado, e posto em condições de não alterar o gosto do vinho ou macular a sua qualidade.

Nos primeiros e doirados dias de Outono depois de tantos trabalhos, alegrias e desilusões, a vindima começa. Os belos cachos, que representam canseiras sem conta, expectativas inquietantes, despesas enormes, vão ser colhidos. Vão nascer dois príncipes: Vinho Tinto e Vinho Branco e o Rei Vinho do Porto.

publicado por franciscofonseca às 20:45
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21
Ago 11

Portugal está a beira de uma grave crise alimentar, segundo o Banco Alimentar Mundial e a FAO (Food and Agriculture Organization) das Nações Unidas. Actualmente somos auto-suficientes apenas na produção do leite, vinho e azeite. Produzimos somente 60% das batatas, cebolas, tomates, pimentos, alhos, 30% da carne de bovino, 40% da carne suína, 40% do peixe e 25% dos cereais, relativamente às necessidades de consumo dos portugueses.

Um velho ditado, muito actual diz que, cada um colhe o que semeia e quem semeia ventos colhe tempestades. Na última década, meio milhão de hectares agrícolas foram abandonados, pois a política agrícola dos vários governos, desde a entrada de Portugal para a CEE, em 1986 tem sido desastrosa, incentivando os agricultores a não produzirem, dando avultados subsídios para deixar os terrenos por cultivar, uma prática ainda hoje em vigor.

Em 2010 Portugal importou 7 mil milhões de euros em produtos alimentares, um valor que espelha bem a nossa realidade produtiva. Este ano Portugal vai produzir menos 20% de vinho do Porto, por determinação do Ministério da Agricultura. Como eu gostaria de perceber estas políticas, por mais que me esforce não consigo.

A única fábrica de açúcar em Portugal, que custou 16 milhões de euros, inaugurada em 1994 deixou de utilizar a beterraba produzida em Portugal e passou a utilizar a cana-de-açúcar vinda da América do Sul. Resultado: milhares de agricultores foram à ruína. 

Os sectores de produção agrícola, pescas, têxtil foram desmantelados, ao longo destes anos. Os hábitos de consumo é que ditam as leis para a distribuição, logo só vejo uma janela de oportunidade para aumentar a produção nacional, ressuscitar os principais sectores nacionais e inverter as tendências de consumo, que passa por todos os portugueses darem preferência aos produtos nacionais e deixar os produtos importados nas prateleiras.

publicado por franciscofonseca às 22:37
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13
Ago 11

Aproxima-se mais uma vindima no vale do Douro, onde o cultivo da vinha dispõe de excepcionais características climáticas e morfológicas. Ao longo de séculos o homem transformou a paisagem que deu origem à mais antiga região demarcada do mundo na produção de vinhos, muito pela dedicação de Marquês de Pombal no século XVIII. A UNESCO em 2001 classificou a região do Alto Douro Vinhateiro, em Património Mundial, premiando desta forma o trabalho árduo do homem do Douro e a excelência dos vinhos ali produzidos, onde como não poderia deixar de ser, sobressai um ex-líbris de Portugal, o sublime e único Vinho do Porto.

Chega a hora de colher os belos cachos, que representam canseiras sem conta, expectativas inquietantes e despesas enormes. A faina das vindimas realiza-se pela segunda quinzena de Setembro, quando a uva atingiu a maturação conveniente. Homens e mulheres espalham-se pelos bardos e agitam-se entre as cepas, à luz do sol escaldante, como abelhas à volta das flores, com alegria no coração e um sorriso nos lábios.

As uvas chegam ao lagar onde é feito o desengace e esmagamento, libertando-se o suco da uva, que vai entrar em fermentação. Depois leva-se a cabo a pisa a pé, que permitirá a dissolução de todos os seus princípios no mosto em fermentação. Este trabalho longo e penoso nas primeiras 16 horas vai fazer com que o vinho seja mais encorpado, mais tinto e mais distinto, pois é nesta fase que é extraída a matéria corante e os taninos.

Quando o vinho dá a prova, procede-se à beneficiação, ou seja, o mosto-vinho encuba-se com cerca de 7º ou 2º Baumé, conforme se destina a vinho doce ou seco. A medida que o vinho cai nas vasilhas, procede-se ao adicionamento de aguardente vínica a 77º centesimais, à razão de 4 almudes para 18 almudes de vinho. Obtêm-se assim o vinho tratado que se há-de transformar com o decorrer do tempo, em Vinho do Porto, caracterizado pelo corpo, grande suavidade, riqueza de aromas, sabor único, e pela particularidade de melhorar com a idade durante dezenas e dezenas de anos.

Terminados os trabalhos da vindima, dá-se a lota em seco do vinho, com vista a arejar e misturar o mais homogeneamente possível a aguardente no seu seio. O inverno frio provoca a sua primeira depuração, em que o bitartarato de potássio, matéria corante, substâncias albuminóides, fermentos e impurezas precipitam-se no fundo das vasilhas. O vinho limpa, aclara e atinge o seu equilíbrio. Em Janeiro procede-se a transfega, para expurgar esse depósito que poderá trazer alterações nocivas, para determinar a força alcoólica e a acidez volátil e adicionar aguardente de forma que o seu teor alcoólico nunca seja inferior a 18º.

O sabor do Vinho do Porto é das coisas mais deliciosas que podemos guardar. Pena seja, que os nossos governantes ao longo dos tempos tenham desgovernado completamente a produção do Vinho do Porto. A produção autorizada pelo governo português, este ano vai sofrer um corte de 20% em relação a 2010, o que corresponde a 25 mil pipas, que não vão ser produzidas. Gostaria de ouvir alguma explicação dos responsáveis políticos, ainda mais nesta fase, que todos apelam ao aumento da produção nacional. Termino dizendo, como pequeno produtor, que a Quinta da Trigueira vai produzir toda a sua colheita, pois o trabalho e a despesa foram enormes, para agora deitar uvas ao lixo, os senhores governantes que me desculpem.

publicado por franciscofonseca às 18:49
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10
Mai 11

A produção da Quinta da Trigueira de 2010 resultou mais uma vez, em vinhos de excelente qualidade. O Vinho tinto foi elaborado de forma tradicional, em lagar pedra de granito, com pisa a pé, conseguindo-se um vinho com maior extracção de cor e taninos. O processo de fermentação ocorreu em cubas de inox, onde os aromas foram preservados, seguindo-se um estágio de 4 meses em barricas de carvalho francês, o que lhe conferiu maior suavidade e os aromas foram enriquecidos.

Na vinificação do vinho branco, a fermentação alcoólica do mosto ocorreu sem a presença das cascas e das sementes. Não teve lugar a maceração, fermentando-se apenas o sumo da uva. Desta forma obteve-se um vinho branco com os seus melhores predicados: a acidez equilibrada e um aroma frutado.

A grande novidade do ano de 2010 é o vinho rosé, que foi obtido a partir de uvas tintas, com o mesmo processo de branco, ou seja, sem maceração. A grande parte dos corantes das uvas tintas está concentrada nas cascas. Assim, obtivemos um vinho rosé, com os aromas frutados do vinho tinto e com a frescura de um branco.

O Vinho do Porto vintage é de 2009, de qualidade excepcional proveniente só desta colheita. Foi engarrafado no segundo ano, apresentando-se retinto e encorpado. Este vinho com o envelhecimento em garrafa torna-se suave e elegante, adquirindo um aroma equilibrado, complexo e muito distinto.

publicado por franciscofonseca às 16:09

26
Fev 11

Em primeiro lugar, queria pedir desculpa aos leitores deste blog, por estes dias de ausência. Foi uma semana de duro trabalho físico, mas de grande relaxamento psicológico, a que acabei de passar na minha Quinta da Trigueira, situada no Douro Vinhateiro. Quinta plantada pelo meu Avô há mais de 100 anos, as castas centenárias tradicionais do Douro são preservadas, recuperadas e novas são plantadas. Longe das tecnologias, do frenesim de Lisboa, deu para recarregar baterias.

Os primeiros três dias foram dedicados à poda das videiras, sem dúvida uma arte que, tenho o privilégio de aperfeiçoar, com os mais velhos e principalmente com o meu pai de 87 anos, um verdadeiro mestre.

Houve tempo para provar e apreciar o vinho tinto, branco e vinho do porto da colheita de 2010. Posso dizer que, mais uma vez a Quinta da Trigueira vai dar a oportunidade aos seus clientes, de saborearem verdadeiros néctares. Aqui podemos apreciar o equilíbrio harmonioso existente entre as castas antigas e as mais jovens. No final do mês de Maio haverá novidades dos novos vinhos, uma das quais será uma grande surpresa.

publicado por franciscofonseca às 15:22
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01
Out 10

Este ano as vindimas no Douro foram recheadas de animação e os mostos prometem excelentes néctares para o próximo ano.

Vou partilhar aqui alguns momentos passados nas vindimas de 2010, na Quinta da Trigueira com mais de 100 anos de existência, que este ano produziu 12.500 litros de excelentes vinhos.

Esta videira é um bom exemplar da requintada casta Touriga Nacional, que este ano teve uma boa maturação e desenvolvimento quer em quantidade e qualidade.

 

Nesta foto quero prestar a minha mais sincera homenagem ao meu querido Pai de 86 anos, que aparece nesta foto em primeiro lugar, o principal responsável pela transmissão da cultura de produção de vinho do Porto e Douro.

 

A pisa a pé é muito importante na aromatização, textura e coloração do tradicional vinho do Douro, nesta Quinta este passo é muito rigoroso.

 

Eu e o meu Mano tirando os últimos líquidos desta produção. Trabalho de muita paciência e precisão.

 

O novo néctar vai ficar nestas cuvas de fermentação a repousar até Janeiro, altura em que vai estagiar em barris de Carvalho Francês, nesta mesma Adega.

 

Nestes barris está a evoluir a produção de vinho do Porto de 2010. A Quinta Trigueira prepara-se para dar mais uns belos momentos de prazer aos seus clientes de eleição.

 

Francisco Fonseca

publicado por franciscofonseca às 22:24

24
Mai 10

 

Vivemos num país a beira da falência total, económica, política, e social. Um país com problemas de produtividade em todas as esferas. Temos sectores em que poderíamos ser muito mais produtivos, na agricultura, na pesca, na indústria do calçado e na indústria dos têxteis.

Tendo eu nascido na mais antiga região demarcada de vinho do Mundo, fui acompanhando os passos do meu pai, que por sua vez seguiu os do meu avô, hoje tenho a quinta que o meu avô construiu, com quase 4 hectares de vinha, renovada e a produzir quase na sua máxima capacidade.

Por mais estranho que pareça, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, prepara-se para diminuir a produção de Vinho do Porto para o corrente ano, isto por determinação do governo através de portaria do Sr. Ministro da agricultura.

Primeira conclusão, tendo eu capacidade para produzir o dobro do vinho com excelente qualidade, só me vai ser permitido produzir metade, ou seja, é o próprio governo que não me deixa produzir.

Segunda conclusão, os governantes deste país estando a necessitar de maior produtividade, adoptam políticas em sentido contrário, em completa contra-mão, a bebedeira não poderia ser maior, desta gente.

Só assim, se percebe o corte na produção do Vinho do Porto.  Com esta brilhante polítca, talvez tenhamos, no futuro, menos políticos bêbados. Espero que resulte para o bem da Nação em prejuízo do Vinho do Porto. Haja paciência com esta gente!

Francisco Fonseca

publicado por franciscofonseca às 22:50
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27
Mai 09

Esta é a casa onde nasci, faz 39 anos. Rua dos Olivais, Lugar de Paradela de Ansiães.

 

 Esta é uma parte da minha Quinta da Trigueira vista da casa do meu Pai.

 

 Estas são as uvas da quinta que mais tarde dão origem a um belo néctar!

 

Uma bela vista do Rio Douro e das suas margens, onde se podem ver os vinhedos do alto Douro Vinhateiro, património mundial.

 

A flor da giesta, mais conhecidas pelas maias, que nesta altura do ano dão um colorido dourado a esta região.

 

 A flor das papoilas que marcam a sua presença nestas terras.

 

Durante alguns dias de trabalho intenso no tratamento da vinha, ainda houve tempo para lavar as vistas com algumas belas imagens.

 

Francisco Fonseca

publicado por franciscofonseca às 22:35
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